sábado, 19 de abril de 2014

A nossa época
     “Na minha época as coisas eram bem diferentes...” Quem já não ouviu uma narrativa que comece assim? Mas, como assim, “na minha época”? Quer dizer que quem diz isso é o quê? Um viajante do tempo? Alguém que não é desta época? Isso não existe. Hoje é o primeiro dia do ano. Na prática, isso não quer dizer nada, já que fomos nós mesmos que inventamos o calendário.
     Mas o efeito psicológico é evidente. Até um cético de carteirinha como eu tem de admitir isso. Ontem, por exemplo, eu fiz uma faxina nas gavetas. Isso é bom, pois simboliza vida nova. Joguei todos os trabalhinhos não entregues no lixo. Mas para quem acha que é de outra época, esse ritual pode ser um desastre. Para quem tira o time de campo e entrega a vida, o tempo presente para os tais jovens... Não existe isso. Tenha você 12, 30, 80 anos ou seja a Hebe Camargo, sua época é agora.
    Nossa! Isso está começando a ficar com cara de auto-ajuda. Que nojo! Mas o que eu queria dizer é: não se deixe iludir pelo marketing consumista. A época de ninguém “passa”. Nem a uva passa. Aproveite 2006 para viver. Saia da Academia, se isso é apenas uma obrigação. Siga a novela das oito, se você gosta de ter um compromisso. Portanto, que em 2006 você se liberte dos clichês que o impedem de ser feliz. Ou não. (01º/01/2006)