domingo, 27 de abril de 2014

"Não deixe que a escola te ensine"
     Esse é o título de um artigo no mínimo instigante cuja leitura me foi sugerida pela aluna Letícia Raquel, do 2º Ano de Informática do Cefet-MG Divinópolis. O artigo é na verdade uma carta em que um pai alerta a filha sobre as falhas do atual e obsoleto sistema de ensino brasileiro. Reconfortante que ela me tenha recomendado o texto por concordar com ele e não por achar absurda a ideia sugerida logo no título. Desde o primeiro ano trabalho com meus alunos textos que possam ajudá-los a promover por conta própria uma análise crítica da educação neste país. Além de artigos, como os de Rubem Alves, um dos mais antigos opositores da decadente escola brasileira, lemos também textos sobre a experiência da Escola da Ponte, em Portugal.
     A instituição perverte todos os princípios que os brasileiros consideram pilares intocáveis da escola. Na Escola da Ponte não há divisão por séries, não há as disciplinas como no Brasil, não há sala de aula, não há provas com ou sem consulta, não há aulas... Trabalham-se apenas com projetos interdisciplinares vinculados a áreas de conhecimento. Os professores são orientadores e não pessoas obrigadas a passar todo dia duas horas na frente de 40 alunos sentados em fila. A Escola da Ponte é a melhor escola básica de Portugal.
     Também trabalhamos em sala o livro Escola Sem Sala de Aula, uma coletânea fantástica de artigos de profissionais de várias áreas que derrubam dogmas sustentados pela escola brasileira e sugerem mudanças. Atualmente vamos iniciar a análise das propostas dos parlamentares sobre a reestruturação do Ensino Médio no Brasil. Obrigado, Letícia. Uma coisa é sair na rua pedindo educação de qualidade para postar a foto nas redes sociais. Outra é entender como a escola funciona e pesquisar propostas. Isso já é educação de qualidade. Quem quiser ler o artigo "Não deixe que a escola te ensine", clique aqui.