sábado, 19 de abril de 2014

Por que professores dão prova sem consulta?
    O livro Escola sem sala de aula (Editora Papiros, 2004), escrito por um jornalista, um educador e um empresário deveria ser leitura obrigatória de professores. A obra traz um debate sobre os problemas da educação no Brasil e sugestões de como tudo poderia mudar. Mas o mais curioso e divertido é quando os autores tentam desvendar alguns mitos das nossas escolas: por que uma aula dura 50 minutos?; por que uma turma tem sempre cerca de 40 alunos?; escola de tempo integral funciona?; por que os professores não mudam se eles mesmos sabem que o atual esquema não funciona?; por que durante as provas, os alunos não podem usar livros ou calculadoras, se eles sempre terão isso à mão?
    Nos próximos artigos, pretendo expor as conclusões do livro sobre esses mitos todos. Mas neste, vamos ficar com o último: por que professores fazem questão de provas sem consulta? Pois bem, no livro, o pedagogo Antônio Carlos Gomes da Costa explica que essa mania de muitos professores não passa mesmo de mito. O pedagogo lembra que, durante a Idade Média, a escola exigia que os alunos decorassem a matéria. Naquela época, os alunos copiavam em uma pequena lousa o que o professor passava no quadro. Mas como não havia espaço suficiente, os estudantes tinham de apagar para copiar mais conteúdo. Assim, o professor obrigava que os alunos decorassem a matéria antes de apagar.
    Com a invenção da gráfica – livros, cadernos, folhetos... –, de computadores, esse expediente não seria mais necessário. Note-se: na Idade Média, decorar não era um recurso didático, mas prático. Ou seja, o professor exigia que o aluno decorasse porque não havia como eles estocarem aquela matéria para consulta futura. Só que a escola não entendeu isso e transformou em mito o que era apenas uma necessidade causada pela limitação tecnológica. O fato de o aluno decorar uma informação não significa que ele a tenha compreendido. E muitas vezes o aluno sequer sabe procurar a informação no livro ou na internet.
    Antônio Carlos lembra que não há absolutamente nenhum argumento lógico a favor da decoreba. Não existe situação real – fora da escola - em que a pessoa não possa consultar. Além disso, a memória é seletiva. Só guarda o que tem utilidade vital. Por isso, nunca esquecemos como se anda, como se dirige o carro, como se escreve ou as operações matemáticas básicas. Para o pedagogo, é difícil mudar a cultura da decoreba justamente porque a prática se transformou em mito. Também é muito difícil convencer pessoas simples da zona rural de que manga com leite não é um veneno. Da mesma forma, muitos professores têm medo de mudar e perder um referencial e às vezes até um mecanismo de manutenção do respeito – ou medo? – da turma em relação a ele.
     Mas, uma dica para os alunos: é fácil provar para seu professor que decorar a matéria não é um método eficiente de ensino. Basta que você desafie seu professor de Matemática a responder a uma questão sobre Gramática ou o professor de Português a responder algo sobre Química... Mas não o deixe consultar, heim!