sábado, 19 de abril de 2014

Sobre sítios e presidentas
    No início, Dilma Rousseff dizia que respeitaria quem a chamasse de presidente ou de presidenta. Mas após a posse, a prática foi diferente. No Senado já houve tentativa de constrangimento do então presidente Sarney pela senadora Marta Suplicy, exigindo que ele se referisse à mandatária como presidenta. Mas pelo menos dois outros fatos deixam claro que Dilma quer sim, impor o neologismo esdrúxulo.
    O primeiro é o fato de o Diário Oficial da União passar a trazer sua assinatura sobre a forma Presidenta Dilma Rousseff. O segundo é a fala da própria presidente no matutino Mais Você, da Globo. Lá, entre papagaio de borracha, receitas de omelete e cachorrinho de madame, ela disse que “deve às mulheres do país impor-se como presidenta” ou disse algo parecido com isso. É um argumento tolo e nos deixa a questionar se Dilma também não espera que as estudantes do país se imponham como “estudantas” ou as garçonetes como “garçonetas”...
    Uma bobagem tão grande quanto aquela imposta pelo governo Lula, que tentou forçar a forma lusitana “sítio” no lugar da brasileira “site”. É triste ver a primeira mulher a chegar à presidência querer para si um simples “a” quando teria a seu dispor todo o alfabeto para reescrever não só a história das mulheres, mas de todo o sofrido povo brasileiro.