domingo, 4 de maio de 2014

Onde fica a Rua Viriato Correia?
      Precisei procurar um endereço em Divinópolis. Era no bairro São José, Rua Viriato Correia. Nunca havia ido além da Rua Amazonas. Espantei-me com o local, até mais agradável do que a parte antiga e conhecida do bairro. Mas assustou-me mais um outro fato: as ruas não têm nome ali! Até imagino que tenham nome, o que não há são placas indicando isso. Para conseguir achar a Viriato Correia tive de a todo momento procurar um morador para perguntar em que rua eu estava, o que não foi tarefa fácil, já que havia pouca gente nas ruas e muitas também não sabiam informar. Ao final, até achei a rua, mas o número não existia.
     No Japão, as ruas também não têm nome, mas os blocos de casas têm... Os comunistas são a favor de que não se coloque nome em nada; que se espere que o povo faça isso com o uso (mas quando o fizer, que ponham uma plaquinha!). Mas a experiência de Divinópolis é ainda mais radical. Não há como localizar uma rua e não é apenas em um trecho do São José porque ficaria num elo perdido; boa parte do São Judas também ostenta ruas sem nomes aparentes. Imagino que em rincões menos visitados...
     O que preocupa não é a falta do nome das ruas. Mas por que diabos ninguém reclama disso? Por que as pessoas saem às ruas com nomes do centro para pedir Fora Renan Calheiros! e não se preocupam com o seu bairro? Nomear as coisas é um dos sinais mais marcantes da civilização. Poder encontrar um endereço nos separa da balbúrdia de Cabul ou Djibout. Preocupar-se com o visitante também é um índice de civilização: eu acho a minha casa até de olhos fechados, mas e o forasteiro? Tudo bem que nenhum turista da Copa deve precisar procurar a Viriato Correia no São José, mas mesmo assim...
     Por que vereadores se preocupam em dar nomes a ruas - principal atividade da câmara, ao que parece - mas não ligam se há placas indicativas ou não? Por que os moradores não reclamam? A organização de Nova York onde a maioria das ruas é nomeada com números e oh!, a 74 fica entre a 73 e a 75!  A limpeza de Londres, onde não se joga  papel nas ruas mesmo não havendo lixeiras. Os jardins e árvores floridos de Buenos Aires. O asfalto impecável das avenidas de Lisboa refeito anualmente e não uma vez na vida como por aqui... Os ônibus com ar condcionado de Madri, uma cidade que nem é tão quente... Não,  em Divinópolis, como neste país, acostumou-se em tal magnitude com a desordem, que é bem possível que não se consiga mais viver de forma ordeira.
      "Mas isso tudo porque você não achou uma placa de rua?" Não, isso tudo porque uma cidade que não tem placas nas ruas também deve ter lixo nas calçadas, praças mal cuidadas, violência e educação ruim. Está tudo interligado, como nos mostra a Teoria das Janelas Quebradas. Comodismo gera desorganização, que gera falta de regras, que gera impunidade, que gera crimes... Não é apenas uma rua sem nome. É um país inteiro sem identidade.