sábado, 19 de julho de 2014

Obrigado, Rubem Alves
     O escritor Rubem Alves morreu neste sábado. Gostava de saber que Rubem Alves estava vivo. Era a única voz sensata neste país quando o assunto era educação. Eu só passei a me achar "normal" quando li pela primeira vez Rubem Alves. Afinal, eu não era o único a achar quevagas  tudo o que é consenso em educação neste país está errado, é burrice. Está errado colocar criança de seis anos na escola e impedir seu contato com os pais, com a pé de manga do fundo do quintal. Está errado escola de tempo integral, está errado dar prova sem consulta, está errado dar prova, está errado prender nossas crianças na escola enquanto a vida acontece lá fora...
    E ele dizia tudo com a sutileza de um poeta. Seus artigos pareciam contos, às vezes, ironia, bobagem, coisa que nunca será. Afinal, no que nos parecemos com moluscos? Como assim, minha memória é um escorredor de macarrão? É isso mesmo. Um escorredor de macarrão. Na crueza dessa analogia que foi buscar num canto da cozinha um utensílio tão esquecido está a sutileza de Rubem Alves. Você se vai, mas seus ensinamentos, sonhos ficam no nosso escorredor de macarrão. Você nos ensinou a fazer as perguntas certas.