domingo, 25 de outubro de 2015




Tema da redação do Enem/2015
     O tema da redação do Enem deste ano foi um exemplo perfeito da tese que defendo de que mais importante do que tentar adivinhar a proposta é ir para a prova munido de informações históricas e relações de sentido. E a discussão sugerida pelo exame era justamente essa: "Apesar de todos os esforços dos últimos anos, a violência contra as mulheres continua. Por quê?" Como resposta, claro, cabem as considerações sobre valores, imaginários, influências culturais e históricas que discutidos desde o primeiro ano do curso. Na sexta-feira, entre as análises que fiz sobre possíveis temas, sugeri justamente "Por que a violência contra a mulher é recorrente?". 
    Importante ressaltar, também como prova de que a educação de qualidade é aquela que envida esforços variados para levar o aluno a construir sentidos, o tema do último "Diálogos".  O projeto do professor Raphael, de História, discutiu a partir de vários enfoques, notadamente históricos, a questão da violência contra a mulher, dia 6 de outubro. Também participaram os professores Tatiana, de Filosofia e Breno, de História, além dos alunos.  Veja a seguir uma possível abordagem do tema do Enem 2015. 

      Conquistas recentes, leis como a “Maria da Penha” e a recente “Lei do Feminicídio” penalizam aqueles que insistem em atentar contra as mulheres. Mas o ataque a esse problema exige mais que um aparato legal. A violência contra a mulher persiste no Brasil porque está amparada em razões históricas.
      Socialmente, espera-se que a mulher seja comportada, bonita, devotada ao lar. Esse figurino é reforçado pela família, que costuma preparar a menina para o casamento e as prendas domésticas. Da mídia também emerge um padrão de mulher sensual e servil. Seja verão ou inverno, a mulher dos comerciais de cerveja ou das telenovelas está a serviço de um padrão de beleza e da satisfação do homem.
      Além disso, é inegável que o Brasil atual herdou traços do autoritarismo e do machismo vigentes no período colonial escravocrata. Ainda hoje muitos homens veem a mulher como uma propriedade sua. Sob essa óptica, a agressão a elas é herança de uma época em que insubordinação se corrigia na ponta do chicote. No Brasil, matar a companheira “em defesa da honra” só deixou de ser um atenuante para o feminicídio há menos de três décadas...
      Portanto, além do aperfeiçoamento das leis, o Brasil precisa combater ranços históricos e culturais que ainda abonam a violência contra a mulher. A família pode fazer isso estimulando as crianças a verem a mulher como um ser apto a desempenhar qualquer função na sociedade. Brinquedos criativos, exemplos e diálogo podem ajudar nesse sentido. À escola e à mídia, caberia repensar o modelo de comportamento que têm perpetuado. O combate ao machismo, por exemplo, pode ser feito com acesso à informação e estímulo ao respeito às diferenças e às leis.


Alunos participam do debate do projeto Diálogos, dia 6/10, sobre o Feminismo, no Cefet-MG