quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

A culpa é do professor 
     Analfabetismo em torno dos 8% e últimos lugares no Pisa. Apesar de avanços, a educação no Brasil melhora a passos lentos. De quem é a culpa?  Da Dilma, dos ricos,  do Cunha. Não. A culpa é da escola e principalmente dos professores. Em última instância cabe a esses dois agentes interagir com o aluno. Cabe ao professor não apenas repassar conteúdo mas também aplicar métodos eficientes de mensuração de aprendizado. E cabe à escola prover um ambiente adequado à educação e fiscalizar o trabalho dos professores. 
     Neste ponto,  os fãs incondicionais dos professores - ou da imagem santificada que se criou deles - hão de enumerar poréns. Mas os professores ganham mal. Têm formação acadêmica deficiente. Os alunos não têm educação e não demonstram interesse. Tudo isso é verdade. Mas nada disso torna menor a responsabilidade dos mestres. Professores ganham mal no Brasil desde todo o sempre. Quando optaram pela profissão já sabiam disso; ninguém os forçou a ser professores. Crianças mal educadas são um reflexo da sociedade mal educada brasileira, já deveríamos saber lidar com isso. E se se atrevem a dar aulas sem formação adequada ou sem buscar aperfeiçoamento, professores são ainda mais culpados.
    A verdade é que a categoria se acomodou à velha desculpa de botar a culpa no "governo", essa entidade malvada e sem rosto. Mas quando foi que vimos esforços conjuntos de professores para buscar soluções?  Quando escolas estaduais,  geralmente sofríveis, batem à porta das escolas federais - geralmente ótimas - para se aconselhar?
    A solução mais efetiva é o aumento salarial. Médicos são valorizados muito mais pelo poder aquisitivo que ostentam que pelas vidas que salvam. Com remuneração melhor, a profissão será mais atraente.  Haverá mais gente nas faculdades, que melhorarão sua qualidade. Por fim, haverá mais gente concorrendo por cada vaga de professor. Mais gente qualificada e de estratos sócio-econômicos variados. Na ponta, ganham os alunos, que terão professores mais bem formados, satisfeitos e cientes de o quanto vale o seu trabalho.