segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Prova de redação já havia vazado há um ano

Corrija sua própria redação: clique aqui

      Entre todas as possibilidades de temas sugeridas pelos alunos, a que eu mais refutei foi a da Intolerância religiosa. E por quê? Primeiro porque é um tema polêmico e o Enem não costumava trabalhar com esse produto. Em segundo, porque o tema inclusive com os mesmos textos de apoio, havia sido vazado em outubro de 2015 e o MEC garantiu que a prova era falsa de gente irresponsável que seria processada pela Polícia Federal. Seria, no mínimo, estranho que o MEC plagiasse uma prova fake de gente que seria processada pela Polícia Federal. Qual era a proposta da prova  fake de gente  que seria processada pela Polícia Federal? "Os caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil". No sábado cheguei a enviar essa prova  fake de gente que seria processada pela Polícia Federal para um aluno do 2º ano com a mensagem que hoje soa irônica: "Pelo menos sabemos o que não será "intolerância religiosa". E foi. O MEC argumenta que tudo não passou de uma "coincidência". Além desse vazamento há um ano, a Polícia já descobriu no Ceará alunos que entraram para fazer a redação com uma cópia exata do tema deste domingo no bolso. Em 2009, quando o tema vazou,  o Enem foi cancelado. Com a palavram o MEC.

sábado, 5 de novembro de 2016

Dicas de última hora
para a redação do Enem
     Ponha título, espalhe as propostas de intervenção pelo texto e abuse da palavra "outrossim". Brincadeirinha! A redação do Enem não pede título; reúna as propostas de intervenção no último parágrafo, para facilitar a correção e usar palavra difícil só dava certo quando o Rui Barbosa corrigia as redações.
     Lembre-se: quem vai corrigir sua redação tem poucos segundos para fazer isso. E, como você, a esta altura do campeonato deveria saber, quando alguém que domina um tipo e um gênero textual vai ler um texto, tem uma expectativa do que vai encontrar no que se refere à estrutura. A única surpresa que se espera é quanto à qualidade da tese, dos argumentos e da conclusão. Jamais quanto à estrutura. 
     O que isso quer dizer? Não decepcione o leitor. Não altere a estrutura que o professor que vai ler seu texto espera encontrar. Por quê? Porque assim ele vai se fixar mais no conteúdo do seu texto, vai conseguir ler com mais rapidez e fluência. Por exemplo: a priori, a conclusão pode vir espalhada pelo desenvolvimento. Mas não é essa a expectativa do leitor. Quem vai corrigir o seu texto espera vê-la no último parágrafo. Por que você vai frustrar a pessoa que vai dar a nota na sua redação? Melhor não, né?
     Algum oráculo, no entanto, pode ter-lhe dito: "ah, se você põe a sugestão ao lado de cada argumento, facilita a análise". Não, mesmo, porque a correção segue a planilha de competências que você já conhece e a conclusão é a última coisa a ser avaliada. Se você a mistura com os argumentos, o professor terá de retornar e reler o desenvolvimento para pescar dali cada proposta. Acredite: ele não vai lhe dar uma estrelinha por isso...
     A dica-mor neste momento é: faça letra legível e dê o espaço de início de parágrafo. Não condense a letra para caber nas 30 linhas. Se possível, faça letra de imprensa. Por que essa dica é importante? Simples: se o professor não conseguir ler seu texto ou mesmo saber onde começa e termina cada parágrafo, de que adianta você ter feito uma redação maravilhosa? Gastou seus outrosins à toa.
      Agora, quanto à estrutura: elabore uma tese simples, clara e objetiva. Nunca a desenvolva na introdução. Ou seja, a tese deve apenas conter um ponto de vista e não desdobramentos, causas ou consequências. Desdobramentos, causas e consequências são da instância do desenvolvimento e não da introdução. Exemplos de teses objetivas:

Teses:
A escola precisa combater o bullying a todo custo.
A tragédia de Mariana deixou algumas lições para o Brasil.
O Brasil tem muito a colaborar com os refugiados sírios.
A obesidade infantil é um risco à saúde pública.
Viver de forma sustentável é se preocupar com o bem comum.

O que não se deve fazer:
A escola precisa combater o bullying porque prejudica o desenvolvimento das crianças.

      A partir do "porque" é desenvolvimento. Não desenvolva a tese na introdução. O fato de o bullying prejudicar o desenvolvimento da criança é um argumento e não parte da tese.

    O texto dissertativo argumentativo, portanto, deve conter introdução (apresentação da tese), desenvolvimento (defesa dos argumentos) e conclusão (no caso do Enem, a apresentação das propostas de soluções para o problema configurado na tese).

INTRODUÇÃO
     A introdução serve para que você contextualize o tema, sensibilize o leitor sobre a relevância dele e apresente sua tese.  Para isso, você pode recorrer a dados estatísticos, exemplos ou ordenações temporais (leia sobre isso). Veja exemplos de introduções:

Refugiados 
     A crise dos refugiados não pode ser medida pelo número de corpos que aparecem boiando no mar Mediterrâneo.  Por envolver o desrespeito a direitos fundamentais do ser humano, é necessário que o mundo todo se mobilize para resolver o problema. O Brasil pode fazer a sua parte para ajudar os refugiados.


Bullying
     Apelidos, insultos,  intimidações. Passar pela vida escolar sem ser vítima pelo menos uma vez desse tipo de "implicância" é quase impossível.  Mas quando isso se torna algo sistemático caracteriza bullying e precisa ser combatido a todo custo.


Tragédia de Mariana
    Há exato um ano, o rompimento da barragem de uma mineradora varria do mapa o  distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG). A lama causou mortes e enormes prejuízos  ao ecossistema. Ainda hoje se discutem as ações legais contra os responsáveis. Mas, para evitar que o desastre se repita,  é preciso que o Brasil aprenda algumas lições com a tragédia.

DESENVOLVIMENTO
     O desenvolvimento é a instância de comprovação, de defesa do ponto de vista que você expressou na tese. Um conselho quanto à estruturação desses argumentos: use apenas dois, um no segundo parágrafo e outro no terceiro. Você tem apenas 30 linhas. É melhor fundamentar bem dois argumentos do que citar de forma superficial uma porção deles. Como se elaboram os argumentos? Crie uma tese clara e objetiva e pergunte a ela: "por quê?" ou "Como?", "Quais?".

CONCLUSÃO
    No caso do Enem, a conclusão deve apresentar propostas que resolvam o problema expressão na tese. O ideal é que essas propostas sejam especificadas, na medida do possível, expondo-se:

O que fazer?
Quem deve fazer
Como se deve fazer

    Veja a seguir um exemplo de um texto feito a partir da tese "O Brasil também deve colaborar para a solução da crise dos refugiados sírios.":


TEMA:
"O papel do Brasil na crise dos refugiados"

INTRODUÇÃO:
     A crise dos refugiados não pode ser medida apenas pelo número de corpos que aparecem boiando no mar Mediterrâneo. O problema há muito ultrapassou as fronteiras da Europa e exige uma ação global. O Brasil também deve fazer a sua parte.

ARGUMENTO 1
     Uma forma de o país ajudar os refugiados é não se negando em recebê-los. A história nos mostra que a chegada de levas de estrangeiros pode, a longo prazo, melhorar a economia interna. Países como Brasil e Estados Unidos devem boa parte do seu desenvolvimento econômico e social à colaboração de imigrantes. Novos povos trazem diversidade cultural e novos modos de empreender.

ARGUMENTO 2
     Além disso, o Brasil deve atuar política e humanitariamente em busca de solução para o problema. Nosso país tem um bom currículo quando se trata de atuação para atacar problemas humanitários.O papel dos nossos pracinhas na Itália, durante a II Guerra, é lembrado até hoje como exemplo de diplomacia. A experiência recente no Haiti também habilita o pais a busca por soluções que vão além do confinamento de refugiados em campos de triagem como tem ocorrido na Europa.

CONCLUSÃO
     Portanto, o Brasil não pode se negar a ajudar os refugiados. Para viabilizar essa ajuda, o Governo deve, então, agir para conter discursos xenófobos. Isso pode ser feito através de campanhas publicitárias e da atuação das escolas. Empresas, ONGs e Igrejas, por sua vez, podem atuar no suporte humanitário e burocrático àqueles que solicitam o refúgio. O contato com organizações internacionais orientariam essas entidades nesse trabalho.


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A verdadeira reforma do ensino médio
     A cada nova divulgação das notas do  Enem, a internet é invadida por rankings que acirraram a competição entre escolas e redes de ensino. Essa competição não é incentivada pelo Ministério da Educação (MEC), que alega que a nota no Enem não é o único viés capaz de traduzir qualidade de ensino. No entanto, há lições que o MEC poderia tirar desses rankings, como por que quatro das 10 escolas com maiores médias em redação estão no Piauí. Sim, o Piauí, o estado que tem as piores médias gerais no exame, um dos lugares mais pobres do Brasil.
     Ou, por que as escolas federais têm rendimento tão acima das demais públicas? Nunca ocorreu ao Governo que a verdadeira reforma seria ouvir essas escolas? Que metodologia seguem? São de tempo integral? Usam livros didáticos? Qual a formação dos professores? Quanto ganham? É verdade que uma reformulação precisa ser feita. Temos disciplinas demais, uma não conversa com a outra e nenhuma fala a língua do aluno. Mas é mais óbvio ainda que se se preocupasse em repassar boas experiências, seria muito mais provável que a qualidade de ensino melhorasse.

     Fiquemos no nosso quintal. O Cefet-MG tem, em Divinópolis, a maior média em Redação: 748,94. Já a maior nota de uma escola estadual da cidade é a da Monsenhor Domingos: 580 na redação. Nunca ocorreu à Superintendência de Ensino sequer a curiosidade de saber como os professores do Cefet-MG trabalham a redação? Nunca pensaram em buscar cooperação em outra escola pública da mesma cidade? Suponho que a resposta seja não. 

     O mesmo vale na relação com as particulares. É claro que a teimosia do Cefet em não abrir mão de aulas teóricas em salas calorentas influi no rendimento dos alunos. Do mesmo modo, a abertura do Colégio Integral a projetos que façam o aluno transitar por ambientes e áreas de conhecimento mais arejados deve repercutir em seu bom desempenho no Enem. 
     Conclusão: para o país, não importa quem está na frente no ranking, se o que uma escola tem de bom não contaminar a outra. A reforma proposta pelo governo terá efeitos muito limitados porque apenas corrige absurdos, como o excesso de aulas em sala calorentas. Mas não vai melhorar a qualidade dos professores. Não vai fazer com que procurem se atualizar. Uma reforma que não passe pela melhoria dos salários dos professores e pela total revisão do conteúdo ensinado e da forma como é ensinado não resolve os problemas do Ensino Médio.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Entenda as competências usadas
para corrigir as redações do Enem
A redação do Enem é corrigida com base em cinco competências:
1. Norma formal da língua
2. Compreensão do tema e do tipo textual
3. Coerência argumentativa
4. Coesão
5. Conclusão

     Para se preparar para fazer a redação do Enem, é essencial entender como esses itens são avaliados. Que tal corrigir alguns textos para treinar cada competência?  Eu selecionei 5 textos: 4 sobre o tema “A persistência da violência contra a mulher no Brasil” e um sobre o tema “O histórico desafio de se valorizar o professor”. Ambas as propostas foram solicitadas na última edição do Enem.
    Leia cada texto, clicando no link abaixo, em que você também tem acesso à planilha de correção. Depois, acesse o link de pontuação de cada texto Você vai corrigir as redações em cada competência. Para saber as notas médias dadas por todos que corrigiram e por mim, acesse o link do  resultado, que estará disponível a partir da tarde quinta-feira. Os textos para correção foram gentilmente cedidos por alunos ou elaborados especialmente para esse exercício.

Textos para correção: clique aqui
Para avaliar o texto 1: clique aqui
Para avaliar o texto 2: clique aqui
Para avaliar o texto 3: clique aqui
Para avaliar o texto 4: clique aqui
Para avaliar o texto 5: clique aqui
Nota média dada pelos leitores e pelo professor: clique aqui



Cefet-MG é 1º lugar em Divinópolis
no ranking do Enem por Escola 2015

O que pode ser tema da Redação do Enem: clique aqui

     Depois de divulgar no dia 4 de outubro as notas do Enem/2016 por escolas sem a maioria dos Institutos e Centros Federais, o Inep soltou nesta terça uma nova planilha incluindo essas instituições. O Cefet-MG manteve o 1º lugar em Divinópolis quando levada em conta a média entre as notas da parte objetiva e da redação. A escola teve nota média de 652,44 pontos. Em relação às demais unidades do Cefet-MG, a escola mantém o 3º posto, atrás de Belo Horizonte, com média de 673,36 e Timóteo (669,02). A escola era a primeira entre as unidades do Cefet-MG até o Enem de 2013. Em redação, no entanto, a unidade de Divinópolis tem a maior média entre as unidades: 748,94 pontos.