quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A verdadeira reforma do ensino médio
     A cada nova divulgação das notas do  Enem, a internet é invadida por rankings que acirraram a competição entre escolas e redes de ensino. Essa competição não é incentivada pelo Ministério da Educação (MEC), que alega que a nota no Enem não é o único viés capaz de traduzir qualidade de ensino. No entanto, há lições que o MEC poderia tirar desses rankings, como por que quatro das 10 escolas com maiores médias em redação estão no Piauí. Sim, o Piauí, o estado que tem as piores médias gerais no exame, um dos lugares mais pobres do Brasil.
     Ou, por que as escolas federais têm rendimento tão acima das demais públicas? Nunca ocorreu ao Governo que a verdadeira reforma seria ouvir essas escolas? Que metodologia seguem? São de tempo integral? Usam livros didáticos? Qual a formação dos professores? Quanto ganham? É verdade que uma reformulação precisa ser feita. Temos disciplinas demais, uma não conversa com a outra e nenhuma fala a língua do aluno. Mas é mais óbvio ainda que se se preocupasse em repassar boas experiências, seria muito mais provável que a qualidade de ensino melhorasse.

     Fiquemos no nosso quintal. O Cefet-MG tem, em Divinópolis, a maior média em Redação: 748,94. Já a maior nota de uma escola estadual da cidade é a da Monsenhor Domingos: 580 na redação. Nunca ocorreu à Superintendência de Ensino sequer a curiosidade de saber como os professores do Cefet-MG trabalham a redação? Nunca pensaram em buscar cooperação em outra escola pública da mesma cidade? Suponho que a resposta seja não. 

     O mesmo vale na relação com as particulares. É claro que a teimosia do Cefet em não abrir mão de aulas teóricas em salas calorentas influi no rendimento dos alunos. Do mesmo modo, a abertura do Colégio Integral a projetos que façam o aluno transitar por ambientes e áreas de conhecimento mais arejados deve repercutir em seu bom desempenho no Enem. 
     Conclusão: para o país, não importa quem está na frente no ranking, se o que uma escola tem de bom não contaminar a outra. A reforma proposta pelo governo terá efeitos muito limitados porque apenas corrige absurdos, como o excesso de aulas em sala calorentas. Mas não vai melhorar a qualidade dos professores. Não vai fazer com que procurem se atualizar. Uma reforma que não passe pela melhoria dos salários dos professores e pela total revisão do conteúdo ensinado e da forma como é ensinado não resolve os problemas do Ensino Médio.