quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Sugestões de  abordagens para alguns temas
    Uma das maiores dificuldades de quem se dispõe a redigir nos moldes da redação do Ene,  é a introdução. O que colocar nesse parágrafo além da tese? O ideal é que a introdução contextualize o tema,  comece do assunto até chegar à tese em si. Ou seja, digamos que o tema seja “violência urbana”, o primeiro parágrafo pode começar discutindo o surgimento das cidades e os benefícios trazidos por esse estilo de vida. Após, passa-se a discutir o outro lado da moeda, os conflitos causados pela interação humana no espaço urbano e, especificamente, a violência. 


Veja também: o que pode ser tema da Redação

Desastres ambientais - 2 anos da Tragédia de Mariana
    Neste domingo, quando os participantes do Enem/2017 estiverem resolvendo a prova, a tragédia de Mariana estará completando dois anos. O maior desastre ambiental da história do Brasil é uma das possibilidades de tema da prova de redação. Nesse caso, seria bem provável que se pedisse uma análise sobre as lições que aprendemos ou deveríamos ter aprendido com o incidente que matou 19 pessoas e afetou milhões que habitantes ao longo dos rios afetados pelos rejeitos da barragem da mineradora Samarco. O que o Brasil tem feito para que desastres dessa magnitude não se repitam? Vale, então, uma analogia com o Japão pós-tsunami. Em 2011, o país foi abalado por um terremoto de 9 graus na escala Richter e, como se não bastasse, em seguida veio uma tsunami que provocou vazamento de material radioativo. Foram cerca de 11 mil mortos. Mas, assim como reagiu à devastação da II Guerra, a população japonesa se uniu, ajudou quem precisava, economizou energia para não piorar a situação energética do país. Além disso, o aparato de monitoramento a desastres naturais foi aperfeiçoado e é possível que no futuro causem menos estragos. Já no Brasil, o que mudou desde o desastre de Mariana? Que medidas efetivas foram tomadas para se prevenir novas tragédias? O que a população tem feito para cobrar mudanças?


Epidemias, doenças tropicais (febre amarela, dengue...)
    Pode-se começar o texto com uma ordenação temporal que aborde o impacto das epidemias que assolavam populações inteiras na Idade Média, passando pela evolução dos hábitos de higiene, dos medicamentos e da medicina até os dias de hoje em que, mesmo com todo o avanço científico ainda lutamos contra doenças como dengue e febre amarela.  A cruzada do sanitarista Osvaldo Cruz no início do século XX também é um marco temporal com o qual se pode fazer um link.

     AIDS - Especificamente sobre aids, além do contexto acima, é possível também ampliar a discussão a partir da Revolução sexual dos anos 1960 (Woodstock), que deu início a uma liberação que pode ter tido impacto na disseminação do vírus HIV. O fato de a doença não assustar mais como antes e de sexo continuar sendo um tabu na sociedade explicam o aumento dos casos da doença entre os mais jovens.


Internet, redes sociais
     Além da Revolução Industrial, a chamada Revolução Tecnológica, da metade do século XX, é outro fato que pode ser citado como estímulo para a disseminação de novas tecnologias. A chegada da internet ao Brasil para uso civil, em 1994, é também um marco a partir do qual se pode desenvolver o tema. De 1988 a 1994, a internet era usada apenas nas universidades. A criação do conceito de redes sociais e comunicadores instantâneos - ICQ, MSN, Orkut - também são ponto de partida para a popularização da internet.


Fake News
     Disseminar notícias falsas ou distorcer informações para converter pessoas a um ponto de vista não é uma invenção moderna ou algo fruto das facilidades advindas do maior acesso a dados e a pessoas na internet. Igrejas e governos fazem uso de Fake News desde sempre para conquistar e manter seguidores. Distorcer informações na internet não é muito diferente de se manipulares pesquisas de opinião para facilitar a aprovação de um projeto no Congresso ou de se reinterpretar a Bíblia para incutir segurança ou medo nos fiéis. É o velho poder da manipulação da informação, só que agora disseminado pelo alcance da internet aliado à péssima qualidade de ensino de boa parte das pessoas. O antídoto contra essa manipulação, venha ela do Estado, da Igreja ou de grupos do whatsapp é a educação crítica. Aquela que propicie ao indivíduo o poder de analisar e selecionar o que lê e o que compartilha.


Suicídio 
    Para além das causas patológicas, o suicídio pode ser discutido a partir dos fatos sociais que podem propiciá-lo entre os jovens. Os desafios da vida em sociedade - viver sob a crítica e as regras alheias e da moral religiosa - podem ser pesados para muitos. Os padrões românticos, disseminados após a Revolução Francesa através da mídia, são cruéis e causam sofrimento para muitos. A imposição de padrões de beleza, de conduta sexual e de felicidade tem um peso muito grande nos casos de suicídio. Além disso, o aumento da exigência de sucesso compartilhado na internet é um fator que também pode exercer influência sobre alguém propenso ao suicídio.


Pedofilia / abuso infantil
    A pedofilia é uma doença classificada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) entre os transtornos da preferência sexual. Pedófilos são pessoas adultas (homens e mulheres) que têm preferência sexual por crianças. O crime, portanto, está na satisfação desse desejo, já que o código penal considera crime a relação sexual ou ato libidinoso praticado por adulto com criança menor de 14 anos. Dados comprovam que o abuso a crianças ocorre majoritariamente por pessoa próxima: pai, mãe, tios... Isso talvez esteja ligado à secular percepção de que os entes familiares sejam posse daquele que detém o pátrio poder e, portanto, possam ser usados como mercadoria. Era essa a percepção implícita no direito romano antigo. Filhos e esposas eram "res", coisa pertencente ao chefe de família. O pagamento de dote à família na qual a filha entrará por casamento é um resquício disso. Não há, no entanto, como dizer que tem havido aumento de casos de pedofilia, mas de denúncias. Esse tema era um tabu até pouco tempo.


Xenofobia
    A expansão romana e de sua cultura provocou muitas feridas na Europa, que não se fecharam até hoje. A sobreposição de uma cultura sobre outra é sempre traumática. A imposição do cristianismo e de seus padrões morais e éticos levou muitas pessoas a repudiarem aqueles povos que fujam dessa expectativa. Além disso, o 11 de Setembro ajudou a realçar o preconceito contra muçulmanos e árabes em geral. No Brasil há ainda a crise econômica, que torna as pessoas mais egoístas e avessas à chegada de estrangeiros que supostamente competiriam com elas por empregos. Como todas as discussões sobre preconceito, esse é um tema cuja proposta de intervenção passa pelo esclarecimento da população a fim de se desfazerem imaginários coletivos desfavoráveis a um povo. 


Homofobia
    Diferentemente do que muitos possam pensar, o preconceito contra gays não é algo que sempre existiu. A imposição da moral católica a partir da Idade Média é que levou à perseguição aos homossexuais. Antes, a sociedade era mais liberal quanto a orientações sexuais diversas ou isso não tinha tanta relevância. Na Grécia antiga, os homossexuais tinham inclusive destaque na organização social. No Brasil atual, a disseminação principalmente na internet de igrejas com discurso mais extremista e o aumento da visibilidade LGBT através, por exemplo, das paradas gays, fez aumentarem ou se tornarem públicos os conflitos. 


A dependência da tecnologia
     Mais um tema cuja introdução pode se dar pela abordagem das revoluções Industrial e Tecnológica. Esse é um assunto propício à exposição de clichês do tipo "a internet, o celular acabaram com as relações interpessoais, o olho no olho, pessoas se reúnem numa mesa de bar e ficam ao celular como zumbis..." Há no entanto que se levar em conta que invenções hoje corriqueiras como a luz elétrica, a caneta e o vaso sanitário também geraram discussões acalouradas à sua época sobre como "destruíram hábitos saudáveis". Tolice achar que vamos abrir mão do celular para ter mais contato presencial. Por outro lado, o fato de uma tecnologia ser novidade faz com que seja usada de forma mais intensa. É claro que em algum tempo o celular ocupará em nossas vidas um lugar mais discreto e ficaremos livres dos grupos de família no whatsapp. Brinquedos novos sempre são mais fascinantes... Mas e a dependência da tecnologia? Se há exageros são fruto da novidade, da descoberta ou da conveniência. Também somos dependentes da tecnologia têxtil, farmacológica, educacional. Alguém está disposto a andar nu, consultar-se com um pajé ou fazer contas com um ábaco?


Bullying
    Não há como discutir bullying sem se falar de preconceito e do despreparo para o convívio social e, principalmente com a diversidade. O bullying aparece na escola, no clube, no trabalho. Ou seja, em ambientes em que o intolerante precisa interagir com aquele que ele não aceita. Dessa forma, a discussão do bullying acaba por permear a discussão sobre homofobia e intolerâncias de gênero: é uma reação de quem teve sua expectativa de comportamento contrariada. O bullying também é uma forma de se mostrar popular: aquele que tem coragem de humilhar, de "por o outro em seu devido lugar".